Eu sinto, tu sentes, nós sentimos.

É verdade caros leitores, todos sentimos! E que bom que é sentir! Pensando bem, nem sempre é agradável...

Claro que preferimos sentirmo-nos felizes, do que tristes. No entanto, esta ideia de que todos sentimos parece-me muito importante. Todas as pessoas sentem medo, nojo, raiva, alegria ou vergonha em algum momento da sua vida.

Por vezes, existe a ideia de que certas pessoas estão sempre felizes - sendo esta ideia bastante consolidada também pelo rápido e fácil acesso às redes sociais e mass media -, no entanto, (lamento informar) ninguém está feliz o dia todo. Ao longo do dia é normal sentir-se várias emoções, umas de que gostamos mais porque nos animam e nos fazem sentir bem, e outras de que gostamos menos porque ficamos tristes ou irritados.

Todas as emoções são válidas e, como costumo dizer, não existem emoções boas ou más.

As emoções desempenham uma função crucial na vida do ser humano, ajudando na interação e criação de vínculo com os outros, da mesma forma que nos ajudam a estar alerta para determinados perigos. Para isto, reconhecer e falar acerca destas é fundamental, ainda que possa (reconheço) não ser sempre muito confortável e agradável. 

Por sua vez, saber o que estamos a sentir pode ser confuso e partilhar o que estamos a sentir em determinados momentos pode ajudar-nos a organizar e perceber com maior facilidade o que sentimos efetivamente (sabendo porém que podemos sentir mais do que uma coisa quase que ao mesmo tempo). 

Isto faz-me pensar que muitas das vezes, quando questiono às pessoas como se sentem, seja ou não em contexto de trabalho, estas começam por me responder "normal".

Perante esta resposta, dou constantemente por mim a pensar, "mas afinal, o que é "normal" para essas pessoas?", porque certamente não será o mesmo que é para mim ou para outra pessoa qualquer.

E surgem questões, como por exemplo: será que me respondem isto porque lhes é desconfortável falar nas suas emoções e sentimentos e preferem evitá-lo ou será realmente porque não conseguem identificar e expressar o que estão a sentir?

Sinto-o como se tentassem evitar a pergunta através de uma resposta automática - no fundo, como acontece quando um conhecido passa e o olá ou o bom dia se prolonga com o tudo bem, mas nem há tempo (nem interesse verdadeiro na maioria das vezes) para responder à questão.

Mas caros leitores, falar sobre o que sentimos é importante e quando o pergunto é porque efetivamente me importo com a resposta e tenho interesse em saber como é que a pessoa se sente realmente.

"Mas... e agora? Sabes dizer o que estás a sentir?" (livro: Monstro das Cores)

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