A criança que ainda vive em nós

Quando era criança, lembro-me de achar que os adultos sabiam tudo.
Que tinham respostas prontas, coragem infinita e uma espécie de mapa secreto para a vida.

Hoje percebo que crescemos, mas continuamos, muitas vezes, a carregar a mesma criança dentro de nós.
Aquela que queria ser escolhida nos jogos da escola.
Que fingia não ficar triste quando era posta de lado.
Que precisava de ouvir “tenho orgulho em ti” mais vezes.
Que criou maneiras de parecer forte demasiado cedo.

Neste Dia Mundial da Criança, talvez seja interessante pensar que não se trata apenas de celebrar a infância, mas também de reconhecer aquilo que ela deixou em nós.

As manias.
Os medos.
A forma como amamos.
A dificuldade em pedir ajuda.
O silêncio quando algo dói.
A necessidade de aprovação.

A infância não fica para trás.
Ela vai-nos acompanhando nas relações, nas inseguranças, na maneira como nos vemos ao espelho e até na forma como acreditamos, ou não, que merecemos ser felizes.

E talvez crescer seja isto:
Dar à nossa criança aquilo que ela precisou e nem sempre recebeu.

Com mais colo.
Mais escuta.
E menos exigência de sermos “adultos perfeitos”!

Feliz Dia Mundial da Criança!

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